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NO PALCO SÃO ARTISTAS. NO DIA SEGUINTE SÃO CARPINTEIROS



São mais de 3 mil os talentos escondidos no meio do Atlântico, perdidos na lavoura, na função pública ou nas carpintarias da Ilha Terceira

Aconchegam a viola entre os braços, já de ar cansado e noite dentro. Olham para o papel para relembrar as rimas e afinam a garganta e os instrumentos como se fossem profissionais. Amadores que sei serem, estou nos ensaios do grupo dos Rapazes das 12 Ribeiras a preparar o ouvido para uma voz pouco profissionalizada, com um sorriso de compaixão mesmo a jeito de se fazer notar. Eis quando sai garganta fora, uma voz que levada a qualquer palco profissional, faria muitos aplaudir de pé. A ela junta-se uma outra e depois uma terceira...fico estasiada com o ritmo, com as graças das letras e com as vozes que as interpretam!


São mais de 3 mil os talentos escondidos no meio do Atlântico, perdidos na lavoura, na função pública ou nas carpintarias da Ilha Terceira. 3 mil corações apaixonados pela arte dos palcos que só no Carnaval se enchem de coragem para se deixar levar por aquilo que lhe faz brilhar os olhos de verdade: a arte de representar.

Um fenómeno, mais conhecido nos Estados Unidos do que no Continente (não fosse esta uma ilha de emigrantes), que os faz sentir meio abandonados e fechados sobre si próprios, mas que nem assim desmotiva o povo da ilha. Esta é uma festa para o povo. Feita pelo povo. Não há, na Ilha Terceira, quem diga que não gosta do Carnaval terceirense. Não há quem não o considere um fenómeno social que só quem bem o conhece o compreende e que pode ser um dos motivos da Terceira ser também conhecida pelo Parque de Diversões.

Eu fui conhecer esta organização desorganizada e levei umas horas a perceber a diferença entre Danças e Bailinhos e que Bailinhos não são os homens e as mulheres a dançar no salão de festas da aldeia. São na verdade grupos de gente cheia de alma e criatividade, que se fecha humildemente entre 4 paredes durante mais de 2 meses, todos os dias à noite, para escrever rimas e fazer músicas, escolher os assuntos (os temas que levam a palco chamam-se assim...), ensaiar, comer, beber, cantar e dançar...

A tradição remonta não se sabe bem a quando. Diz-se que pode ter influencias das danças medievais, no teatro de Gil Vicente ou do Brasil. Ou até noutros, sabe-la lá! O que é certo é que na época dos descobrimentos, por esta ilha, passavam povos de todo o mundo e que qualquer um podia ter deixado influencias. Desde sempre os terceirenses se lembram que acontece este Carnaval e que é o mais bonito do mundo. São suspeitos, é verdade, mas também é verdade que é único!

Imagine mais de 60 grupos, com 20 a 30 pessoas cada. Mais de 20 atuações, por grupo, em 4 dias e em cerca de 40 locais diferentes. Imagine milhares de pessoas a “correr danças” (pessoas que percorrem os locais onde acontecem os Bailinhos” para assistir aos espetáculos) e a “gastar da mesa” (a comida que se partilha entre todos), a rir e a fazer rir com as graças que se prepararam nos últimos meses. Drama ou comédia, sátira social. São os acontecimentos que marcam a ilha e o mundo que são levados a palco.

Dos 8 aos 80 anos, todos têm o seu lugar. Desde os que nunca se sentaram num banco de escola aos mais graduados. O Carnaval da Terceira é de todos e para todos. E é endémico. Lá, todos são artistas. No palco ou na produção. E de lá acaba por sair gente para os palcos da música, do teatro ou do design. Desta ilha vieram nomes como os de Nuno e Luís Gil Bettencourt (a que se junta agora também o da filha, Maria Bettencourt, que está a dar passos importantes nos Estados Unidos), o designer da Lacoste Luís Oliveira Baptista, Luís Filipe Borges, humorista e apresentador ou Vitor D´Andrade, ator atualmente na TVI.

O carnaval tem uma enorme importância na vivencia social e económica da ilha. Tudo pára, para que todos possam ir viver o carnaval. É um motor para a economia local ou não fosse a economia tudo o que mexe...

Estima-se que possa representar 5% do PIB. Estima-se que cada pessoa tenha um gasto com as suas próprias roupas, sapatos, idas ao cabeleireiro e maquilhagem, na ordem dos 500 a 700 euros. Fazendo as muitas contas que ele envolve, estima-se que o Carnaval possa gerar cerca de 40 milhões de euros por ano. E sim, estima-se porque nem esse levantamento está feito pelas entidades oficiais, de tão “só nosso” que ele é, como dizem os locais.

Conta-se que há gente que fica com os dedos em sangue de tanta viola tocar, ou sem voz de tantas horas a desgastar...talvez por isto se chame Carnaval dos Bravos! Acontece porque a gente da Terceira quer que aconteça e nem para todos os que lá moram, o Carnaval se deve profissionalizar e tornar-se num produto turístico.

Este é um fenómeno que está a começar a estudar-se e que no futuro pode ser diferente. Goste-se mais ou goste-se menos, esta manifestação cultural tem tudo para fazer explodir uma indústria criativa na Ilha Terceira. O que falta? Descaramento! O mesmo descaramento que os terceirenses levam para o palco, é o que faz falta à marca Açores para o fazer chegar ao mundo.

Se somos o país que tem mais passado para deixar ao futuro, então preservem-se as tradições e os costumes, mas partilhem-se com quem as voltou a valorizar e está disposto a pagar para as conhecer. Enquanto isso não acontece, como diz a canção de despedida do grupo a que assisti aos ensaios, os terceirenses lá vão juntos, lado a lado neste trilho, num caminho enfeitado pelo brilho de Carnaval...

Inspirada por tanto talento e em jeito de homenagem

atrevo-me a fazer uma rima para o fim da minha viagem

O que ali acontece por dentro, destrava mil emoções

mas importa trazer para o centro

o que mexe com os corações

Obrigada, Terceira

por guardares dentro de ti tamanha brincadeira

agora importa fazer dela

uma enorme faladeira.

Depois de tudo isto, e de 4 dias na ilha a viver o espírito, só fica a faltar saber mesmo quem é “tê pai, jovê talento”*!

Até breve Terceira.

“Quem é tê pai”, é uma expressão muito usada entre terceirenses para saber de quem é filho determinado individuo.


in visao.sapo.pt

BISCOITOS DE ORELHA


Receita de uma dos mais tradicionais biscoitos da Ilha de Santa Maria, o biscoito de orelha, ex-libris da doçaria mariense, conhecido e apreciado por locais e forasteiros.
Receita
Ingredientes:
3 Kg de Farinha de Trigo
10 Ovos
1 Kg de Açúcar
500 Gramas de Banha
250 Gramas de Manteiga
Fermento caseiro (Tipo Fermento de Pão)
1 pitada de sal
Preparação:
Prepara-se o fermento que pode ser de massa de pão de trigo, deve ser feito de véspera e deixa-se a levedar bem.
Misturam-se todos os ingredientes e amassa-se até que a massa comece a criar bolhas de ar que rebentam ao virar as “folhas”.
Deixa-se levedar e quando está leveda, tendem-se os biscoitos de orelha com 3 cantos, cortando com uma tesoura cada uma das orelhas.
Untam-se tabuleiros com banha ou manteiga e polvilham-se de farinha, colocando ali os biscoitos que devem ir ao forno bem quente, como se fosse para cozer o pão de trigo.
Sensivelmente uma hora depois estão prontos a sair do forno.
Bom apetite!
Fonte: santamariaazores.net

Lançados novos chás nos Açores


Plantação de Chá Gorreana Repost @roman.kaufmann.at #iloveazores #azores #saomiguel #acores #gorreana

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A fábrica Gorreana, nos Açores, região que tem a única plantação de chá na Europa, vai lançar em março uma nova geração de chás com vários sabores numa parceria com a Misericórdia da Maia, foi hoje anunciado.

"Vamos misturar o nosso chá verde e preto da Gorreana com as ervas aromáticas da ilha de São Miguel, como o poejo, a menta, erva-luísa, entre outras", disse à agência Lusa Madalena Mota, que integra a gestão da unidade fabril.

A cultura do chá nos Açores remonta ao século XIX, altura em que foi importada a planta, tendo surgido a indústria de transformação a partir de 1878.

Mantêm-se hoje duas unidades, as fábricas da Gorreana, um negócio de família que começou em 1883, e Porto Formoso, ambas no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

Madalena Mota referiu que a criação dos novos chás deve-se à procura por parte dos consumidores, num momento em que o chá "voltou a ser moda", depois da predominância do café, considerou.

"O chá está novamente na moda e existe um grande culto sobre a planta. Os nossos clientes são, cada vez mais, grandes especialistas em chá, com os quais aprendemos diariamente, algo que não acontecia há uma década", declarou a empresária.

Segundo Madalena Mota, além de se vender atualmente mais chá, os consumidores, por outro lado, "procuram cada vez mais qualidade" e são cada vez "mais exigentes".

O provedor da Santa Casa da Misericórdia da Maia, Laudalino Rodrigues, explicou que o contributo da instituição sediada no concelho da Ribeira Grande passa pelo cultivo das ervas que serão utilizadas no fabrico do chá, tendo sido criadas duas estufas para o efeito.

Laudalino Rodrigues adiantou que o primeiro chá dos vários que se pretende lançar com a fábrica da Gorreana é o que conjuga menta e chocolate.

O provedor esclareceu que o projeto envolveu a criação de uma empresa com vários trabalhadores e acrescentou que o gabinete de desenvolvimento local da Misericórdia da Maia está a estudar, em conjunto com a fábrica, outras possibilidades de lançar mais produtos no mercado.

Além da sua produção, a fábrica Gorreana desenvolve chás exclusivos 'oolong', um chá chinês tradicional, situado entre o chá verde e o chá preto em termos de oxidação, para a Companhia Portugueza do Chá, em Lisboa.

Segundo o sítio da empresa na Internet, "atualmente as plantações da Gorreana cobrem uma área de 32 hectares, de onde se produzem cerca de 33 toneladas de chá por ano nas variedades de preto e verde".

A Santa Casa da Misericórdia do Divino Espírito Santo da Maia, que atua no norte do concelho da Ribeira Grande, entre Porto Formoso e Lomba de São Pedro, completa 100 anos em 2019.

Entre as suas valências contam-se uma farmácia, lar para idosos, lares para e crianças e jovens deficientes, espaços de atividades de tempos livres e o Museu do Tabaco.

A propósito de um livro lançado o ano passado, Virgílio Vieira, da Confraria do Chá do Porto Formoso, explicou que o chá produzido nos Açores "possui uma valorização superior aos demais, por ser mais rico em antioxidante benéfico para a saúde humana, evitando doenças da sociedade ocidental, como enfartes e cancro, tendo ainda um baixo custo".

in noticiasaominuto.com

S. Miguel já era povoada 150 anos antes da descoberta oficial dos Açores


Lagoa das Sete Cidades Repost @m.pedroso89 #iloveazores #azores #saomiguel #setecidades #acores

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Estudo internacional dos sedimentos da Lagoa Azul, nas Sete Cidades, conclui que a maior ilha dos Açores, hoje com 125 mil habitantes, já era povoada em 1287

O estudo de pólenes e esporos, combinado com a análise do carvão e de fósseis de vários microrganismos, nos sedimentos acumulados no fundo da Lagoa Azul, na caldeira das Sete Cidades, em São Miguel, revelam que esta ilha dos Açores já era habitada por volta de 1287, cerca de 150 anos antes da data oficial do seu povoamento, logo a seguir à última erupção vulcânica conhecida.

A datação foi feita por Carbono 14 e o estudo acaba de ser publicado na revista científica internacional “Quaternary Sicence Reviews” por uma equipa que reúne investigadores do polo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) na Universidade dos Açores; do Instituto Dom Luiz na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; das universidades da Corunha, Barcelona e Autónoma de Barcelona e de dois institutos de investigação da mesma cidade; e das universidades Edith Cowan (Austrália) e da Austrália Ocidental.

Como recorda o estudo, “a data mais consensual da colonização humana dos Açores é 1432, quando Gonçalo Velho Cabral chegou à ilha de Santa Maria” (grupo oriental). O mesmo navegador descobriu depois São Miguel, a outra ilha do grupo oriental. A data oficial do início da colonização do arquipélago é 1449, mas há historiadores que defendem que os Açores já eram conhecidos antes, baseados em mapas de 1339 onde as ilhas do Corvo e de São Miguel já estão assinaladas, embora com nomes diferentes (Corvinaris e Caprara, respetivamente).

Reconstruir o desenvolvimento da vegetação
O objetivo da equipa internacional de investigadores com o estudo agora publicado foi reconstruir a dinâmica da vegetação na região da caldeira das Sete Cidades e no arquipélago dos Açores em geral ao longo dos últimos 1000 anos. E definir os principais fatores de mudança na ecologia das ilhas, “com destaque para as alterações climáticas e para o 'timing' da ocupação humana inicial e das suas consequências posteriores”, explica o artigo da revista “Quaternary Sicence Reviews”. No fundo, os cientistas pretendiam compreender como foram modeladas as atuais paisagens e comunidades agrícolas dos Açores.

Os pólenes, esporos, carvões e outros materiais orgânicos analisados pelos investigadores serviram assim para reconstruir o desenvolvimento da vegetação da ilha de S. Miguel antes e depois do povoamento pelos primeiros europeus. Mas adicionalmente, a equipa internacional usou também pólenes de algas e plantas aquáticas da Lagoa Azul.

Do ponto de vista ecológico, referem os cientistas, “os Açores podem ser vistos como o lugar de uma experiência não intencional em larga escala, onde plantas introduzidas pelos seres humanos de origens geográficas e ecológicas díspares substituíram a vegetação original e desenvolveram novas comunidades, cuja composição e funcionamento ecológico não tinha precedentes”.


in expresso.sapo.pt

O matador açoriano que trocou os touros pelo ensino da arte de bem montar


A oito fusos horários da ilha Terceira, onde nasceu, e a 30 horas de viagens de avião de Portugal,Mário Miguel Silva garante que está adaptado a Jacarta, onde vive com a mulher e a filha há sete anos. "Estando inserido no mundo dos cavalos 24 horas por dia, sete dias por semana, trabalhar na Indonésia, na Tailândia, nos EUA ou no Polo Norte é estarmos bem", diz o cavaleiro português, de 38 anos.

Uma década depois de se tornar o primeiro matador de touros açoriano, tirando alternativa na praça de Valladolid, Espanha, a 26 de agosto de 2006, Mário Miguel trocou a arena pela pista, trabalhando para Prabowo Subianto, que foi candidato presidencial em 2014 e é um dos homens mais poderosos da Indonésia. Além de tratar dos seus cavalos, o português está a formar alunos para a modalidade olímpica da dressage, dominada por europeus.

Ensinar outros a levar o cavalo a fazer movimentos graciosos é natural para quem começou a tourear aos 11 anos, arrancando a carreira que o fez passar de Angra do Heroísmo para o Campo Pequeno e daí para Espanha, França, Califórnia e América do Sul. E em que, além de lidar os touros, aprendeu muito de equitação. "É um prolongamento do trabalho do mestre Luís Valença, que é a divulgação da arte equestre e da cultura portuguesa", explica, referindo-se ao sogro, um dos grandes nomes da equitação.

As ligações familiares ajudaram-no a iniciar a nova carreira. Tendo feito a última corrida nos Açores, em 2009, a transição para a dressage foi o passo lógico para quem se dedica a negociar cavalos. "Já devemos ter levado cerca de 30 para a Tailândia . Agora devemos levar outros 30 para a Indonésia. Alguns estão virados para o cavalo norte-europeu, mas maioritariamente levamos o nosso lusitano." São animais que podem custar entre 10 e 100 mil euros, consoante a pureza da raça e os feitos dos antepassados.

Construir uma relação entre cavalo e cavaleiro em que os dois até parecem ser um é algo que Mário Miguel classifica de "difícil facilidade". "Vem de muitos anos de treino em conjunto, e com a arte equestre do cavaleiro que evolui ao longo dos anos mais a linguagem se desenvolve. A certa altura já parece telepatia. Tudo sai redondo e bonito", diz o cavaleiro, que tal como a mulher, Luísa Valença, dá o exemplo a alunos que já representam a Indonésia em competições internacionais.

QUESTÃO DE CARÁTER
Caráter é aquilo que exige aos animais que leva para a Ásia, numa prospeção que o obriga - "e ainda bem", realça - a vir a Portugal várias vezes por ano. "Podemos estar à procura de um cavalo superbonito, muito bem andado e ensinado, mas se tiver mau caráter vai criar problemas muito depressa", adverte, na medida em que "um cavalo com caráter difícil" pode prejudicar a forma como os lusitanos são vistos entre pessoas que têm "menos anos de cultura equestre".


Apesar de a dressage ser dominada por cavalos do Norte da Europa preparados para o picadeiro de 20 por 60 metros, aquilo que procura são "cavalos muito guerreiros, com um coração muito grande, que suportam muitas pressões sem fazerem asneiras". E Mário Miguel Silva crê que os lusitanos são versáteis ao ponto de se adaptarem a pistas e regras feitas com outros em mente.

É a ele que cabe a última triagem dos animais comprados pelos clientes asiáticos. "É o retoque final depois de passarem por vários filtros. Venho cá, monto, experimento e vejo o caráter de cada um para apurar se se coaduna com o aluno a que é destinado", afirma, embora escolher um cavalo com potencial seja apenas um primeiro passo para chegar ao mais alto nível.

"Podemos sempre realizar-nos no cavalo em muitas vertentes", afirma, avançando exemplos na sua família. Ninguém foi tourear, mas a sobrinha mais velha vai no terceiro campeonato europeu de dressage, competindo ao nível de grande prémio, e o sobrinho mais novo prepara o segundo europeu. "Vivem em casa do avô toda a arte equestre", diz o matador .

PATRÃO POLÉMICO
Apesar da experiência e dos resultados, Mário Miguel Silva ri-se com a ideia de que o patrão o veja como um ‘Mourinho da dressage’. "Sou muito jovem. Na arte equestre há um processo de evolução e de aprendizagem. Ainda hoje o meu sogro, com 70 anos, diz que aprende todos os dias. Ser um Mourinho da arte equestre... Não é por aí", responde, reconhecendo que o convite para trabalhar em Jacarta se deve ao conhecimento da sua trajetória de cavaleiro tauromáquico, matador de touros e cavaleiro equitador. "Acho que me tem ainda em boa conta...", resume, sorridente.

Prabowo Subianto, além de genro de Suharto, ditador já falecido que governou a Indonésia durante 30 anos, é tão poderoso quanto polémico no país. E está ligado à ocupação de Timor-Leste enquanto um dos mais jovens comandantes das forças especiais invasoras. Homens sob o seu comando embrenharam–se na ilha em 1978 para emboscar e matar o ex-primeiro-ministro timorense Nicolau dos Reis Lobato, cujo cadáver foi levado para Díli.

Apesar disso, Mário Miguel Silva diz que conhece alguns timorenses que preferiram ficar na Indonésia após a independência da ex-colónia portuguesa e garante que a sua nacionalidade nunca foi um problema em Jacarta. Mais falado, mas em Portugal, foi o seu nome e o da mulher no âmbito da investigação aos ‘Panama Papers’, visto que ambos apareceram numa lista de titulares da sociedade offshore, o que o cavaleiro justifica com o facto de terem deixado de trabalhar e de pagar impostos em Portugal.

SAUDADES DOS TOUROS
Sem nunca ter anunciado o fim de uma carreira ligada à Monumental da Ilha Terceira e à Praça do Campo Pequeno, onde fez a alternativa de cavaleiro tauromáquico, Mário Miguel admite ter saudades da adrenalina que sentia e que até o levou a tornar-se matador. "Quem nasce toureiro, morre toureiro. Há sempre a chama que mantemos viva. Mas não passa de uma ilusão", afirma, deixando a porta entreaberta para participar num festival relacionado com uma das "causas nobres que a festa dos touros acompanha, apadrinha e suporta".

Na Indonésia também há quem lhe faça perguntas acerca do passado, ainda que a tauromaquia "seja difícil de ser percebida por alguém que nunca lhe foi exposto, ou por quem a exposição possa ter sido menos positiva ou só negativa". E garante que estaria pronto a ensinar um dos seus alunos de dressage a tourear.

Depois de ter montado mais cavalos do que consegue precisar, ainda que aponte para "umas boas centenas", Mário Miguel já disse à filha, que começou a montar há pouco tempo, para fazer registos. "Como é muito organizada e boa aluna, pedi que fizesse um diário. Daqui a meia dúzia de anos já não consegue contar os cavalos", diz quem não consegue indicar o animal que mais o marcou. Até porque "o meu próximo cavalo é que vai ser o melhor".

Maior navio plataforma de guindastes do mundo esteve nos Açores



O maior navio plataforma de guindastes do mundo, “Thialf”, solicitou autorização para entrar em mar territorial português e ficar a pairar em frente ao porto de Ponta Delgada, para rendição de elementos da guarnição e abastecimento de combustível. A Autoridade Marítima acompanhou estas atividades.

A Polícia Marítima do Comando-local de Ponta Delgada supervisionou a rendição de 50 elementos da guarnição do navio “Thialf”, através de um rebocador de alto mar, que se encontra a acompanhar a travessia atlântica do referido navio plataforma de guindastes. Dadas as dimensões do navio, o embarque e desembarque de pessoal é feito através de uma gaiola movimentada por guindaste.

O mesmo rebocador embarcou 1700 metros cúbicos de combustível no porto de Ponta Delgada, numa operação vistoriada por peritos da Capitania do Porto de Ponta Delgada, para garantir as condições de segurança da transfega. Com policiamento permanente, o rebocador transferiu o combustível para o navio plataforma de guindastes “Thialf”, através de bombagem por mangueira, enquanto ambos pairavam a uma distância segura da costa. Toda a operação foi feita com a máxima segurança e constituiu um sucesso.



“Maior navio plataforma de guindastes do mundo esteve nos Açores

O maior navio plataforma de guindastes do mundo, “Thialf”, solicitou autorização para entrar em mar territorial português e ficar a pairar em frente ao porto de Ponta Delgada, para rendição de elementos da guarnição e abastecimento de combustível. A Autoridade Marítima acompanhou estas atividades.”

Veja a notícia completa em: amn.pt

Açores vão liderar novos recordes no turismo em 2017


 As regiões dos Açores e do Norte deverão liderar o crescimento do turismo este ano, altura em que deverão ser batidos novos recordes em receitas, dormidas, número de turistas e gasto médio por visitante, revela o Barómetro do Turismo 2017. “O turismo vai crescer e ainda tem margem para crescer. O que importa é que seja um crescimento sustentado e, para isso, temos de continuar a fazer o trabalho de casa”, comentou António Jorge Costa, presidente do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), entidade que organiza, esta quinta-feira, em Gaia, o XII Fórum Internacional do Turismo. Mais de uma centena de empresários, agentes de viagens, jornalistas especializados e outros “stake holders” do setor do turismo português, auscultados pelo IPDT para este barómetro a apresentar durante o congresso, consideram que 2017 vai ser melhor em receitas turísticas (90%), vamos ter mais dormidas na hotelaria (88,6%), receber mais turistas (91,4%) e ver aumentar o gasto médio por turista (64,2%). 

As regiões que mais vão crescer são os Açores (35,2%), o Porto e Norte (22,5%), Lisboa e Vale do Tejo (16,9%), o Alentejo (12,7%) e o Algarve (9,9%). Para que tal suceda, o turismo deverá apostar, principalmente, na qualificação dos recursos humanos (46,7%) e diferenciação da oferta turística (33,3%). “Já não há tantas dúvidas quanto à capacidade de crescer, mas agora temos de ver como vamos acrescentar valor em toda a cadeia do turismo, desenvolvê-lo de forma a responder à procura e não como dá jeito à oferta, como acontecia”, apontou o especialista. “Não transformemos Portugal em algo que as pessoas não querem comprar. Temos de encontrar um equilíbrio entre o que é bom para os investidores (e há cada vez mais estrangeiros a investir no turismo português), mas sem perder o caráter de autenticidade que é uma mais-valia nossa”, adiantou. 

No estudo “Perceção dos Turistas em Portugal”, também a apresentar durante o congresso, o IPDT descobriu que “o destino satisfaz as expetativas, mas aumenta a preocupação quanto à perda de autenticidade”. Isto é, 51% dos inquiridos considera que as cidades portuguesas estão a perder o caráter original, 56% que nas zonas turísticas dessas cidades é difícil interagir com os residentes e 54% diz que a gastronomia é idêntica à de outros destinos. 

De um a sete pontos, os turistas que visitaram Portugal atribuem as notas mais elevadas aos vinhos (6,43), ao património histórico (6,37) e à gastronomia (6,35), considerando que os aspetos a melhorar têm a ver com os transportes, a limpeza e a informação turística. “Precisamos de um barómetro de qualidade em Portugal”, apontou Jorge Costa. “Há grandes diferenças na qualidade de serviços, por vezes até dentro da mesma marca [hoteleira, por exemplo] e é preciso uma mudança transversal, desde a base até às chefias, criando uma verdadeira cultura de empresa”, sublinhou o responsável, considerando que “chegou a hora” de ser “partilhado o crescimento do setor” e a precariedade no turismo dar lugar a um atendimento profissional, sob pena de “o jeitinho português não resolver tudo para sempre”.

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