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A misteriosa estátua que existia na Ilha do Corvo antes da chegada dos Portugueses


Já passava de meados do século quinze, quando os marinheiros portugueses, que iam rumo a ocidente à procura de mais terras, depararam, por fim, com um pequeno ilhéu negro, no meio do mar. Era a mais pequena ilha dos Açores que encontravam e, aproximando-se pelo lado do noroeste, viram, inesperadamente, no cume de um penhasco, que parecia servir de marco aos navegantes, o vulto de um homem grande de pedra, montado num cavalo sem sela.

Era uma estátua profética, construída não se sabe por quem, e representava um homem, coberto com uma espécie de manto, com a cabeça descoberta. As faces do rosto e outras partes estavam sumidas, cavadas e quase gastas do muito tempo que ali tinha estado. Sobre as crinas do cavalo, que tinha uma perna dobrada a outra levantada, estava colocada a mão esquerda do homem, enquanto que o braço direito estava estendido e com os dedos da mão encolhidos. Só o indicador continuava aberto e apontava para o poente ou noroeste, para as regiões onde o sol se oculta, a grande terra dos bacalhaus, as Índias de Castela ou o Brasil, terras que ainda não tinham sido descobertas.

A estátua assentava sobre uma laje também de pedra, na qual estavam escritas algumas palavras, que, embora muito gastas da antiguidade e do rocio do mar, ainda deixavam ler: “Jesus, avante!”. Era uma incitação aos descobridores portugueses para que avançassem e expandissem a fé cristã para o ocidente. Os nossos marinheiros seguiram o conselho, viajaram para ocidente e descobriram muitas terras onde semearam a fé em Jesus.

Hoje a estátua já não se encontra lá porque, no tempo de D. Manuel, veio do reino um homem, mandado pelo rei, para a apear e levar. Descuidando-se, a estátua quebrou-se em pedaços, dos quais alguns foram levados ao rei. Mas ainda, na parte noroeste da ilha, encontramos o promontório onde se levantou a estátua equestre e, mais abaixo, o marco que deu o primeiro nome à ilha — ilha do Marco.

A esta estátua se devem as descobertas para o ocidente, porque, com aquele dedo apontado, anunciou a existência de outros mundos e bastou que os navegadores compreendessem e interpretassem essa escultura em pedra para avançarem em direcção às Américas.

Vários arqueólogos têm recentemente manifestado interesse na história. Existem várias outras histórias de grandes viagens pelos Cartagineses e os seus antepassados os Fenícios. Ruínas arqueológicas cartaginesas foram comprovadamente encontradas em Mogador, 500 quilómetros abaixo do Estreito de Gibraltar na costa de África. Segundo o historiador grego antigo Hérodoto, o fenício Sataspes teria chegado à África tropical; enquanto Hanno, um pouco mais cedo, teria, tendo partido do Mediterrâneo, chegado ao Egipto pelo Mar Vermelho no século V a.C., descrevendo as paisagens tropicais com realismo.

As viagens de Hanno e de Himilco provam a capacidade cartaginesa de navegar no Atlântico, abrindo a possibilidade que, por desígnio ou acaso, tivessem visitado os Açores. É por isso que muitos arqueólogos aceitam que os Cartagineses ou Fenícios poderão ter descoberto os Açores antes dos Portugueses. Estes povos frequentemente representavam os seus deuses com estátuas equestres, como é comprovado em inúmeras descobertas arqueológicas no Mediterrâneo.

Recentemente, o escritor Gavin Menzies escreveu um livro de especulações não provadas mas bem argumentadas no qual especula, sem qualquer prova, de que a estátua equestre do Corvo poderia ter sido erguida pelos Chineses liderados por Zheng He no século XIV. É sabido que os grandes juncos dos Chineses chegaram à costa oriental de África nessa data, mas a sua chegada ao Atlântico é pura especulação.

Apesar de nunca arqueologicamente confirmada, e de ser considerada provavelmente falsa por historiadores subsequentes, a história da estátua equestre do Corvo, bem como a das moedas púnicas ali encontradas, são culturalmente e turisticamente importantes para os Açores e para a história do Atlântico, fazendo parte da mitologia que envolve os arquipélagos da Macaronésia.

Não são de descartar as visitas dos cartagineses à ilha do Corvo, já que é certo que visitaram as Canárias, que aliás eram habitadas no tempo da sua descoberta pelos povos guanches, vivendo em condições similares às dos povos neolíticos, e onde deixaram irrefutáveis vestígios arqueológicos.

Com o esbater dos mitos nacionalistas, que faziam “acto de fé” da primazia portuguesa nas ilhas atlânticas, levando à negação sem análise de qualquer vestígio humano prévio à colonização portuguesa, torna-se necessário estudar melhor a pré-história açoriana.

Fonte: Vortexmag

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